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February 14 CRISTO OU BARRABÁSA maior preocupação da Igreja hoje, no Brasil,
Nossa preocupação deveria ser:
Como a Igreja no Brasil hoje está influenciando e impactando esta nação?
Nossa pergunta deveria ser:
Será que temos sido o que Deus deseja que nós sejamos?
Deus quer e nos mostra, através da Bíblia, a responsabilidade de sermos luz para o mundo (Mateus 5:15,16).
Jesus diz que somos a luz do mundo e que ninguém acende algo para ficar escondido; isso quer dizer que a luz que está em nós deve ficar visível. Ela deve iluminar quem está em trevas, e, ao brilhar, a glória de Deus será vista nas obras. Se a sua luz brilhar, os homens verão a Deus e Ele será glorificado.
As pessoas que nos observam têm de ver a transformação que Ele tem feito em nós. Quem estiver dentro da Igreja tem a missão de levar para o mundo a “cara” desta transformação.
Quanto mais parecido com Jesus você for, mais seu impacto na terra será parecido com o dele.
Queremos só o que Jesus tem para nos dar ou somente a candeia para iluminar?
Vamos ficar parados esperando as coisas acontecer e vendo a vida passar, ou vamos correr e nos encher de Jesus?
Mateus 27:11-26
Este texto é um dos mais fortes do Novo Testamento.
A crucificação se aproxima e Pilatos se sente obrigado a dar duas alternativas para o povo:
Cristo ou Barrabás?
BARRABÁS: Foi um homem que teve a vida descrita de forma errônea. Estava preso porque cometeu algo que o condenou; talvez fosse assassino, ladrão, salteador ou bandido, entre outras coisas. Iremos conhecer algumas coisas a seu respeito que nos deixarão assustados. Por exemplo, seu nome significa filho de rabino; portanto, ele era judeu e crescera com a expectativa da vinda do Messias. Mas Barrabás foi pintado mais como um gadareno com cólica renal.
Nos quatro evangelhos:
- Mateus: era tido como um preso muito conhecido, notório, popular, famoso; - Marcos: era tido como um homem preso com os amotinadores; - Lucas: era conhecido na cidade por sedição e homicídio; - João: era tido como um salteador.
Essas descrições nos dão a idéia de um ladrão comum. Mas não; Barrabás era um homem revolucionário e sua revolta não se deu por acaso, tinha bases políticas.
Na época, Israel estava debaixo do império romano que tinha o controle de tudo, inclusive, quem seriam os sumo-sacerdotes do templo que cobrariam impostos altíssimos, que enriqueceriam o governo e a revolta seria geral.
Nos dias de Jesus na terra Pilatos era o governante. Um homem cruel no seu particular e no governo, que estava por um fio dentro da hierarquia.
Fez uso do dinheiro da Igreja para a realização de seus projetos pessoais e isso causava revolta no povo que cria nas promessas do Antigo Testamento e tinha expectativas sobre a vinda do Messias.
Entretanto, muitos não criam em Jesus porque esperavam o Salvador como um rei poderoso, e não Jesus com o plano de trazer liberdade física.
Assim como cada um de nós pode fazer escolhas, alguns escolhem estar nos caminhos de Deus, outros preferem se satisfazer com coisas que não agradam a Cristo.
Barrabás se opunha ao governo.
Ao analisar, vemos que temos mais de Barrabás em nós do que de Jesus; ou até muito mais de Jesus, mas vivemos como Barrabás, nas atitudes.
Ele representa as pessoas que cansaram de esperar. Quando não vemos as coisas acontecendo em nossas vidas no processo divino, partimos para a força e agimos fora dos propósitos e dos planos de Deus para nós. É agir de acordo com o ímpeto humano, àquele que se adianta a Deus.
O que nos vem à cabeça é: se estou esperando e nada acontece na Igreja, vou procurar no mundo, em coisas ilícitas, em caminhos paralelos para tentar alcançar o que Deus prometeu em sua Palavra.
- Barrabás também representa o ministério natural.
Deus tem a promessa de poder para a Igreja, a promessa de que dos céus virá o poder (Atos 1:8).
Deus quer capacitar a Igreja, adestrar, realizar obras maiores ou iguais; mas não conseguimos na força humana, somente na direção de Deus, como foi feito com os discípulos.
Devemos nos envolver nas coisas do Reino, não com vestes de qualquer jeito, e, sim, cheios de poder: sobrenaturalmente, para sair e sermos luz, onde quer que seja: na escola, no trabalho, na faculdade ou em casa; e naturalmente temos de nos encher do poder do Espírito Santo e esperar Deus dar a promessa, não agir na nossa força.
Não tem a ver com doutrina; mas, sim, em estar cheios do poder de Deus.
1 Coríntios 12
Fala da nossa fé e do desejo de usar sobremaneira a nossa vida para operar coisas. Esta é uma promessa e temos de esperar que se cumpra.
- Barrabás representa o pior em nós; ou seja, para ele os fins justificavam os meios. Não importava o quanto o importunasse porque ele não se importava com valores, caráter ou princípios; o que ele queria era chegar onde havia planejado.
É como se nós não nos importássemos em ser parecidos com Jesus ou em como o mundo nos vê, não se importando com a vontade de Deus. Olhamos somente para nossa ambição pessoal e que os resultados venham e sejamos reconhecidos.
- Em Barrabás vemos rebeldia, desobediência, insubmissão, insurreição, facção, motim; tudo como se fosse por alguma boa causa. Mas nem sempre a motivação é para este fim; mas, sim, para que os interesses pessoais se sobressaiam.
Onde está Jesus nisso?
Romanos 13:1-2
Que as pessoas pensam desta passagem?
- Barrabás representa o pecado em si.
Barrabás é aquela voz que te faz pecar e fazer tudo o que não agrada a Deus.
Estas são as conseqüências ao escolhermos Barrabás. Em contrapartida nem tudo se fará desgraça. Primeiro há o alerta para escolher a Cristo - em Jesus vemos que nem tudo está perdido.
Se escolhermos a Jesus, o ministério é poder centrado em Deus e não faremos nada que não seja a vontade de Deus.
Significa e simboliza:
Paulo escolheu Jesus. Em 1 Coríntios 2:4,5 Paulo diz que não falava o que era dele mesmo para que escolhesse o ministério certo, incorruptível e sem obscuridade.
É isso que precisamos viver, e não depender de homens nem visar vantagens.
Mais um personagem que não podemos deixar de lado:
- Pilatos, é aquele que tem poder de levar outros à decisão. Ele tinha autoridade para tomar a decisão de crucificar a Jesus ou não; mas lavou as mãos.
Os pastores, evangelistas, pregadores da Palavra tem o poder de levar o povo a Jesus ou não. E vemos pessoas que ficam indecisas nessa escolha.
No versículo 19 do texto de Mateus 27, não podemos esquecer da importância da esposa de Pilatos. Ela representa o profeta, o alerta de Deus para não crucificar a Jesus de novo.
É o sangue de muitas pessoas que poderiam estar indo para outro caminho que é o céu, não para o inferno por nossa falta de posicionamento.
Pilatos representa o fim do ministério da indecisão.
O fim de quem não se posiciona é a morte, pois apesar dos sonhos, de conhecer a verdade, vem a paralisia e faltam forças para lutar. Mesmo crendo em Jesus quando percebe, já está fisgado.
Um dia podemos acordar com um calor que não é sauna.
CRISTO OU BARRABÁS?
QUAL SERÁ NOSSA ESCOLHA? SÓ NOSSA ATITUDE PODE DIZER!
(Texto apóstolo Rina - Igreja Bola de Neve)
TROPA DE ELITE: A CRIMINALIZAÇÃO DA POBREZA!(Texto de Ivan Pinheiro) "Homem de preto. Qual é sua missão? É invadir favela E deixar corpo no chão" (refrão do BOPE) Não dá cair no papo furado de que "Tropa de Elite" é "arte pura" ou "obra aberta". Um filme sobre questões sociais não podia ser neutro. Trata-se de uma obra de arte objetivamente ideológica, de caráter fascista, que serve à criminalização e ao extermínio da pobreza. É possível até que os diretores subjetivamente não quisessem este resultado, mas apenas ganhar dinheiro, prestígio e, quem sabe, um Oscar. Vão jurar o resto da vida que não são de direita. Aliás, você conhece alguém no Brasil, ainda mais na área cultural, que se diga de direita? Como acredito mais em conspirações do que no acaso, não descarto a hipótese de o filme ter sido encomendado por setores conservadores. Estou curioso para saber quais foram os mecenas desta caríssima produção, que certamente foi financiada por incentivos fiscais. O filme tem objetivos diferentes, para públicos diferentes. Para os proletários das comunidades carentes, o objetivo é botar mais medo ainda na "caveira" (o BOPE, os "homens de preto"). O vazamento escancarado das cópias piratas talvez seja, além de uma estratégia de marketing, parte de uma campanha ideológica. A pirataria é a única maneira de o filme ser visto pelos que não podem pagar os caros ingressos dos cinemas. Aliás, que cinemas? Não existe mais um cinema nos subúrbios, a não ser em shopping, que não é lugar de pobre freqüentar, até porque se sente excluído e discriminado. No filme, os "caveiras" são invencíveis e imortais. O único que morre é porque "deu mole". Cometeu o erro de ir ao morro à paisana, para levar óculos para um menino pobre, em nome de um colega de tropa que estava identificado na área como policial. Resumo: foi fazer uma boa ação e acabou assassinado pelos bandidos. Para as classes médias e altas, o objetivo do filme é conquistar mais simpatia para o BOPE, na luta dos "de cima", que moram embaixo, contra os "de baixo", que moram encima. Os "homens de preto" são glamourizados, como abnegados e incorruptíveis. Apesar de bem intencionados e preocupados socialmente, são obrigados a torturar e assassinar a sangue frio, em "nosso nome". Para servir à "nossa sociedade", sacrificam a família, a saúde e os estudos. Nós lhes devemos tudo isso! Portanto, precisam ser impunes. Você já viu algum "caveira" ser processado e julgado por tortura ou assassinato? "Caveira" não tem nome, a não ser no filme. A "Caveira" é uma instituição, impessoal, quase secreta. Há várias cenas para justificar a tortura como "um mal necessário". Em ambas, o resultado é positivo para os torturadores, ou seja, os torturados não resistem e "cagüetam" os procurados, que são pegos e mortos, com requintes de crueldade. Fica outra mensagem: sem aquelas torturas, o resultado era impossível. Tudo é feito para nos sentirmos numa verdadeira guerra, do bem contra o mal. É impossível não nos remetermos ao Iraque ou à Palestina: na guerra, quase tudo é permitido. À certa altura, afirma o narrador, orgulhoso : "nem no exército de Israel há soldados iguais aos do BOPE". Para quem mora no Rio, é ridículo levar a sério as cenas em que os "rangers" sobem os morros, saindo do nada, se esgueirando pelas encostas e ruelas, sem que sejam percebidos pelos olheiros e fogueteiros das gangues do varejo de drogas! Esta manipulação cumpre o papel de torná-los ainda mais invencíveis e, ao mesmo tempo, de esconder o estigmatizado "Caveirão", dentro do qual, na vida real, eles sobem o morro, blindados. O "Caveirão", a maior marca do BOPE, não aparece no filme: os heróis não podem parecer covardes! O filme procura desqualificar a polêmica ideológica com a esquerda, que responsabiliza as injustiças sociais como causa principal da violência e marginalidade. Para ridicularizar a defesa dos direitos humanos e escamotear a denúncia do capitalismo, os antagonistas da truculência policial são estudantes da PUC, "despojados de boutique", que se dão a alguns luxos, por não terem ainda chegado à maioridade burguesa. Os protestos contra a violência retratados no filme são performances no estilo "viva rico", em que a burguesia e a pequena-burguesia vão para a orla pedir paz, como se fosse possível acabar com a violência com velas e roupas brancas, ou seja, como se tratasse de um problema moral ou cultural e não social. A burguesia passa incólume pelo filme, a não ser pela caricatura de seus filhos que, na Faculdade, fumam um baseado e discutem Foucault. Um personagem chamado "Baiano" (sutil preconceito) é a personificação do tráfico de drogas e de armas, como se não passasse de um desses meninos pobres, apenas mais espertos que os outros, que se fazem "Chefe do Morro" e que não chegam aos trinta anos de idade, simples varejistas de drogas e armas, produtos dos mais rentáveis do capitalismo contemporâneo. Nenhuma menção a como as drogas e armas chegam às comunidades, distribuídas pelos grandes traficantes capitalistas, sempre impunes, longe das balas achadas e perdidas. E ainda responsabilizam os consumidores pela existência do tráfico de drogas, como se o sistema não tivesse nada a ver com isso! O Estado burguês também passa incólume pelo filme. Nenhuma alusão à ausência do Estado nas comunidades carentes, principal causa do domínio do banditismo. Nenhuma denúncia de que lá falta tudo que sobra nos bairros ricos. No filme, corrupção é um soldado da PM tomar um chope de graça, para dar segurança a um bar. Aliás, o filme arrasa impiedosamente os policiais "não caveiras", generalizando- os como corruptos e covardes, principalmente os que ficam multando nossos carros e tolhendo nossas pequenas transgressões, ao invés de subirem o morro para matar bandido. A grande sacada do filme é que o personagem ideológico principal não é o artista principal. Este, branco, é o que mais mata. Ironicamente, chama-se Nascimento. É um tipo patológico, messiânico, sanguinário, que manda um colega matar enquanto fala ao celular com a mulher sobre o nascimento do filho. Mas para fazer a cabeça de todos os públicos, tanto os "de cima" como os "de baixo", o grande e verdadeiro herói da trama surge no final: Thiago, um jovem negro, pacato, criado numa comunidade pobre, que foi trabalhar na PM para custear seus estudos de Direito, louco para largar aquela vida e ser advogado. Como PM, foi um peixe fora d'água: incorruptível, respeitava as leis e os cidadãos. Generoso, foi ele quem comprou os óculos para dar para o menino míope. Sua entrada no BOPE não foi por vocação, mas por acaso. Para ficar claro que não há solução fora da repressão e do extermínio e que não adianta criticar nem fazer passeata, pois "guerra é guerra", nosso novo herói se transforma no mais cruel dos "caveiras" da tropa da elite, a ponto de dar o tiro de misericórdia no varejista "Baiano", depois que este foi torturado, dominado e imobilizado. Para não parecer uma guerra de brancos ricos contra negros pobres, mas do bem contra o mal, o nosso herói é um "caveira" negro, que mata um bandido "baiano", de sua própria classe, num ritual macabro para sinalizar uma possibilidade de "mobilidade social", para usar uma expressão cretina dos entusiastas das "políticas compensatórias" . A fascistização é um fenômeno que vem sendo impulsionado pelo imperialismo em escala mundial. A pretexto da luta contra o terrorismo, criminalizam- se governos, líderes, povos, países, religiões, raças, culturas, ideologias, camadas sociais. Em qualquer país em que "Tropa de Elite" passar, principalmente nos Estados Unidos e na Europa, o filme estará contribuindo para que a sociedade se torne mais fascista e mais intolerante com os negros, os imigrantes de países periféricos e delinqüentes de baixa renda. No Brasil, a mídia burguesa há muito tempo trabalha a idéia de que estamos numa verdadeira guerra, fazendo sutilmente a apologia da repressão. Sentimos isso de perto. Quantas vezes já vimos pessoas nas ruas querendo linchar um ladrão amador, pego roubando alguma coisa de alguém? Quantas vezes ouvimos, até de trabalhadores, que "bandido tem que morrer"? Se não reagirmos, daqui a pouco a classe média vai para as ruas pedir mais BOPE e menos direitos humanos e, de novo, fazer o jogo da burguesia, que quer exterminar os pobres, que só criam problemas e ainda por cima não contam na sociedade de consumo. Daqui a pouco, as milícias particulares vão se espalhar pelo país, inspiradas nos heróicos "homens de preto", num perigoso processo de privatização da segurança pública e da justiça. Não nos esqueçamos do modelo da "matriz": hoje, os mais sanguinários soldados americanos no Iraque são mercenários recrutados por empresas particulares de segurança, não sujeitos a regulamentos e códigos militares. Parafraseando Bertolt Brecht, depois vai sobrar para nós, que teimamos em lutar contra o fascismo e a barbárie, sonhando com um mundo justo e fraterno. A trilha sonora do filme já avisou: "Tropa de Elite, Osso duro de roer, Pega um, pega geral. Também vai pegar você!" Plano Colômbia: oligarquias versus a naçãoIn: http://www2.correiocidadania.com.br/ed221/internacional.htm
O Plano Colômbia tem sido divulgado pela grande imprensa como um plano financiado pelos Estados Unidos, cujo objetivo é acabar com as plantações da folha de coca e, assim, combater o narcotráfico na Colômbia. Há, todavia, uma série de questões nebulosas quanto aos interesses político-econômicos envolvidos nessa intervenção norte-americana num país da América Latina, sobretudo um país que engloba uma porção substancial da Amazônia. Para esclarecer qual é o atual cenário político na Colômbia e mostrar os bastidores desse plano, o Correio entrevistou Pietro Lora Alarcón, advogado colombiano, professor de direito constitucional e relações internacionais da PUC-SP e representante no Brasil do Comitê Permanente pela Defesa dos Direitos Humanos da Colômbia. Leia abaixo a primeira parte da entrevista.
Correio: Como você avalia a visão corrente no Brasil sobre o Plano Colômbia?
Pietro Alarcón: A maior parte do que tem sido publicado no Brasil com relação ao Plano Colômbia é informação oficial fornecida pela Embaixada ou pelo Consulado. Não há divulgação da versão não-oficial, que não é estritamente a visão dos movimentos insurgentes, mas a visão do movimento popular colombiano com relação ao plano. Ou seja, como ele é observado pelos movimentos populares, pelo movimento estudantil, pelas centrais de trabalhadores.
Correio: Qual é a diferença entre conservador e liberal na Colômbia?
PA: Temos na Colômbia dois partidos institucionalizados desde o século passado. O partido conservador representava os grandes latifundiários, herdeiros das grandes extensões de terra na Colômbia, e a alta hierarquia da Igreja Católica. O Partido Liberal, do outro lado, era o herdeiro ideológico da Revolução Francesa, formado por artesãos, comerciantes, enfim, pessoas mais ligadas ao liberalismo clássico. Quando, na década de 20, apareceram partidos que representavam a classe operária e que constituíam uma alternativa às oligarquias colombianas, a diferença ideológica entre liberais e conservadores foi se diluindo até chegar ao ponto em que ambos agiram de forma conjunta contra setores populares de sua própria clientela, mas que haviam assumido uma postura em defesa do povo colombiano.
Correio: Há algum partido institucional de esquerda?
PA: A Colômbia é uma república e seu regime político é formalmente democrático. Só que essa democracia na Colômbia é ultra-restringida. Os partidos políticos de real oposição são atacados tanto pelo partido liberal como pelo conservador, ao ponto de se ter recorrido, principalmente durante os últimos 40 ou 50 anos, à violência mais cruel, à perseguição mais intolerante, mais crua, contra a aparição desses partidos. Pode-se relatar algumas experiências, como a experiência da União Patriótica. A União Patriótica é uma organização que surgiu no começo da década de 80, fruto dos acordos de paz entre as Farc e o governo conservador do Dr. Belizário Bettancourt. Essa experiência foi muito importante para a história da Colômbia, porque pela primeira vez a esquerda colombiana obteve uma porção de votos significativa: quase 380 mil votos, sendo que, tradicionalmente, a esquerda chegava a 75 mil votos. Essa União Patriótica obteve quase 400 mil votos e elegeu um número significativo de prefeitos, representantes na Câmara dos Deputados, senadores etc. Mas a União Patriótica foi atacada militarmente pela oligarquia a tal ponto que cerca de 2.500 militantes foram assassinados entre 1984 e 1995. A cúpula desse movimento foi assassinada.
Correio: Quer dizer que hoje não tem um partido institucional à esquerda? Só as guerrilhas?
PA: Hoje, existe um Partido Comunista atuante que trabalha na vida civil. Existe também um movimento chamado Frente Social e Política, que é iniciativa das centrais unitárias de trabalhadores. A idéia é que essa Frente Social e Política seja nutrida pelas forças da esquerda, as forças progressistas, populares e democráticas da Colômbia. Existe ainda um movimento armado, que é um ator político importante para fazer qualquer tipo de análise sobre a situação colombiana. Esse movimento possui dois setores: as Farc (exército do povo) e o Exército de Libertação Nacional. Esses são os 2 setores armados. As Farc lançaram recentemente um movimento político chamado Movimento Bolivariano, que atua na clandestinidade. Esses movimentos que acabo de citar são os setores políticos. Na Colômbia, existe também um movimento popular muito amplo. A população está organizada em centrais estudantis, como a associação nacional dos estudantes universitários e a associação nacional dos estudantes secundaristas, cooperativas camponesas, organizações intelectuais etc.
Correio: Mas os mais atuantes hoje em dia seriam as Farc, ou, pelo menos, este seria o movimento com maior projeção internacional.
PA: Sim, porque o problema fundamental hoje na Colômbia é a procura da paz. A paz é um anseio de todos os colombianos, incluindo o movimento insurgente. O governo de Andrés Pastrana iniciou dando muita importância à procura da paz.
Correio: Nesse sentido, alguns analistas dizem que a entrada dos EUA no Plano Colômbia deturpou muito esse processo.
PA: Exatamente.
Correio: Dizem que as Farc já estavam até mais dispostas a uma negociação com o próprio governo... Ou isso é também uma visão falsa?
PA: A procura de uma saída pacífica não foi fruto de uma hipotética vontade de paz do governo. Digamos que há um conjunto de fatores que se entrecruzam para poderem determinar que o próprio governo procurasse sentar-se com as Farc. Primeiro: o sucesso militar das Farc nos últimos anos, o seu crescimento, a possibilidade que têm de se converterem em uma alternativa de poder em um prazo curto. Segundo: a crise do próprio exército colombiano, causada pelos golpes que a guerrilha lhe infligiu. Terceiro: o modelo neoliberal colombiano, que bateu de frente com os interesses reais do povo colombiano. As demissões, as privatizações, ou seja, o receituário do FMI fez o movimento popular partir para as greves e para as ruas. A luta social cresceu e fez surgir, pela primeira vez, uma unidade entre diversos setores do povo. As ações conjuntas representaram um novo nível da luta política, engrossando a corrente de opinião favorável a um saída política negociada ao conflito social e armado colombiano. Toda essa situação, o avanço do movimento armado, a luta social crescendo, criou um problema de governabilidade para o próprio Pastrana, que se viu forçado a sentar-se com as Farc. Essa atitude foi o reconhecimento de que não são bandoleiros. São atores políticos que têm propostas e legitimidade.
Correio: O que se busca, então, a partir desse contexto?
PA: Nesse sentido, o que se busca é uma saída política negociada ao conflito social e armado colombiano, como se entende para o conjunto dos colombianos, para as Farc, para o movimento popular organizado. Entende-se como uma paz, mas com modificações sérias e profundas na estrutura nacional da Colômbia. Por exemplo, rever o modelo econômico, o que significa que a Colômbia abandone a via do neoliberalismo.
Vale o relato de uma experiência: a tática do governo de Andrés Pastrana era muita simpática. Ele dizia para os representantes das Farc na mesa quando havia uma greve: "é impossível que as Farc digam, negociando comigo, que estão de acordo com a greve dos empregados". Então, a idéia que ele tinha do processo era setorizar as questões, utilizando diferentes estratégias com os empregados, com a privatização da telecomunicação, com as Farc. Ou seja, ele pretendia romper com aquela unidade existente. E as Farc eram muito claras: "estamos negociando, mas não pactuamos com um cessar fogo. Ou seja, estamos negociando disparando". E é um movimento popular que merece nosso respaldo porque suas iniciativas e propostas (e esse é um processo muito natural) se identificaram às de outros setores. A mesma reforma agrária que exigiam os camponeses que faziam passeatas até Bogotá era aquela que as Farc estavam tentando discutir na mesa. Então, digamos que esta saída política negociada ao conflito constitui uma alternativa para pacificar a Colômbia sobre bases sólidas. Evidentemente, há outras questões, como por exemplo a reformulação do regime político colombiano, a possibilidade de que novas forças políticas disputem no cenário eleitoral. Mas, com o Plano Colômbia, tem início uma contra-resposta. O Plano Colômbia foi elaborado pelo complexo militar industrial norte-americano fundamentalmente para fazer com que as forças armadas militares na Colômbia tenham capacidade de responder. Ou seja, não há um interesse pela saída política negociada. Não há um interesse por dialogar. Ainda há um velho sonho da oligarquia colombiana e dos EUA de derrotarem militarmente o movimento insurgente.
Correio: Por que as conversações de paz sempre fracassaram?
PA: O fracasso da tentativa de 1984 foi devido a que as conversações deram lugar ao surgimento de um novo partido: a União Patriótica. Para a oligarquia colombiana isto era inadmissível e ela decidiu exterminar a nova agremiação. Para entender isso, é preciso ter presente que, para a oligarquia, para as forças armadas e para o governo norte americano, há, na Colômbia, uma guerra de baixa intensidade, que se caracteriza por um processo subversivo que tem um elemento que é o movimento armado. Mas ele tem outros atores: os partidos políticos da oposição, setores da igreja que compartilham de "teses suspeitas" como as de Leonardo Boff, Frei Betto. Os indígenas, as comunidades locais, os defensores de direitos humanos que lêem textos que não devem e depois pregam que os inimigos do povo são os militares, o Estado; os estudantes que pensam e que organizam grêmios; os camponeses que fazem passeatas: todos eles são atores do processo subversivo. Pela ótica do inimigo, caminha aí um processo insurgente. Como detê-lo? Com uma estratégia contra-insurgente. Como se faz essa estratégia? Há duas modalidades. Primeiro: para vencer uma guerra, você precisa de um tripé: povo, exército e Estado. Os militares dizem: pode-se ter o Estado e o exército, mas, se não tiver o povo, ainda que você seja militarmente superior, você corre o risco de perder essa guerra. Necessitava-se ganhar a mente do povo. Então, começaram a ser feitas as brigadas cívico-militares, ou seja, o exército realizando trabalhos sociais, mas também ganhando ideologicamente as mentes das pessoas para um projeto contra-insurgente.
De outro lado, ultiliza-se o terrorismo de Estado. Como se faz terrorismo de Estado? No Vietnã, os ingleses e os norte-americanos já tinham colocado em prática táticas de terrorismo de Estado. Na Colômbia, utiliza-se o mesmo modelo: o terrorismo vai desde a guerra psicológica, que consiste nas ameaças permanentes contra dirigentes populares, até a criação dos chamados grupos de defesa privada, esquadrões da morte e grupos paramilitares.
Correio: Que é o Fidel Castaño.
PA: Sim. Os grupos paramilitares são uma invenção do próprio Estado, com participação efetiva das forças armadas militares, para assassinar, primeiro, seletivamente e, depois, em massa, nas regiões onde há uma preponderância das idéias de esquerda. Esta é uma tática de Estado. O terrorismo é de Estado na Colômbia. |
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